Que o meu texto ( poema )
não caia nunca em boca
muda, murcha, louca,
torta, uma boca que
dá colicas, fria e dura.
Que o meu texto ( poema )
não caia nunca em olho cego,
mas não cego que não vê
mas do cego analfabeto -
de espirito. Desses olhos poucos
que só enxergam a
visão do próprio umbigo.
Olhos apenas existido, não vivo.
Que o meu texto ( poema )
não caia nunca em ouvido oco.
Ouvido de signo morto,
perdido no próprio espaço.
Mas, que o meu texto ( poema )
caia sempre em corpo atento.
Desses de fina pena
que ao ver uma pequenina folha
já veja ali um grande poema.
Sérvio Lima
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